quinta-feira, 20 de março de 2008

Íntimo

Se o tempo é relativo
quem vai consertar os erros?
Só se pode querer mudar
o que ainda não aconteceu

Nessa prisão de vidro
eu encaro os meus defeitos
Questiono os sentimentos
e os amores que restam no peito

Mas são os mesmos filmes
aqueles de amores impossíveis
Eu me vejo neles
Não posso mentir

Gosto de fazer as regras
mesmo quando fujo delas
Eu queria poder mudar
apenas o que não sou eu

Seria mais fácil sorrir
Se não quisesse chorar
E todas as formas de escapar
Foram ensinadas para mim

Mas são os mesmo filmes
Aqueles de vingança a frio
Eu me vejo neles
Não dá pra fingir

terça-feira, 11 de março de 2008

As Escadas (conto)


Sentado na escada do prédio às 3h. Hora de dormir para muitos, não para aqueles que guardam dentro de si a espera de algo que nunca chegou. Subiu e desceu as escadas pensando no dia de antes de ontem quando a mesma angústia lhe mordia. Nesse dia pôde escrever uma carta para uma amiga querida que distante dali não o esperava. Nada chegou como nos últimos tempos.

Sentado na escada do prédio no 6° andar, novamente às 3h, decidiu subir e descer pensando no dia de antes de ontem quando resolveu pintar um quadro com as tintas da irmã que há muito tempo nunca lhe visitou. Em outras horas alguém havia ligado, mas como apertar o botão que nunca foi apertado?

De pé sobre as escadas cinzas às 3h resolveu subir e descer pensando no dia de antes de ontem, quando resolveu rezar pela mãe doente que nunca havia adoecido. Em outras novelas ela era quem tinha rezado. Sob a fé, sobre a cama enferrujada que não havia dormido, o calendário riscado estava ali ao lado.

De pé sobre as escadas às 3h do relógio parado nada havia mudado, pensando em algum dia de antes de ontem, era ele quem tinha lembrado. Subiu e desceu as escadas como se tivesse encontrado um caminho único para sobreviver ao cansaço. Resmungou e aceitou em viver ao lado daquele que lhe parecia com o espelho a qual a época ainda não havia recordado.

Sentados às 3h sobre a escada enferrujada, decidiram dormir à espera de outros. Hora de acordar para muitos, não para aqueles que o controle do tempo era quase fantasioso. Quem espera por aquilo que não teve, nunca saberá quantos passados dormirão consigo nem quantos futuros seriam necessários para lhe atirar sobre as escadas.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Fácil de "fazível"



Nas últimas horas o questionamento é este: O que queremos fazer e o que somos capazes de fazer independente de vocação, talento e etc.? Porque o desafio maior é o tempo e o espaço. E como cumprir as tarefas e os desejos sem ser atropelado por nós mesmos?

Organizando as idéias... Antes que o atropelamento seja fatal.

Não preciso dizer novamente o quanto minhas tarefas mudaram nesse novo ano. Mas o que mais me cansa é pensar nos modos de fazer a vida ser menos estressada e mais produtiva. Livros que quero ler, filmes que tenho que ver, músicas que gosto de escutar. Tarefas obrigatórias, lazer didático e lazer fútil. Lutar contra si mesmo em gastar o tempo com bobeira, ou gastá-lo com utilidade.

Tempo é dinheiro e na falta dele, o que é vale mais? Falar com os amigos, estudar ou "brincar". A escolha é sempre a mais fácil, a que menos teria trabalho ou melhores consequencias. E quando elas surgem ficamos sabemos tardiamente se foi um progresso ou um suicídio, afinal somos nós quem controlamos o relógio.

(Sem fechamento)

quinta-feira, 6 de março de 2008

Primeiros dias na Universidade Católica


Vou começar a escrever falando um pouco sobre a mudança do nome do meu blog. Na verdade vocês vão entender o porquê pelos fatos que aconteceram desde a última postagem. Principalmente pela entrada na faculdade. Já foram quase 40 horas de aula e nenhum grande fato a ser comentado. Vou escrever a primeira impressão de alguém que estudou toda sua vida no subúrbio da metrópole pra se formar numa das faculdades mais elitizadas do Rio (levando em conta a minha subjetividade).


Na segunda-feira da semana passada eu e Renan fomos até a PUC pra assistir a aula inaugural que teria palestras sobre como seria o decorrer do curso e etc... Apesar de ter sido legal por conhecer os equipamento e a ótima estrutura, nos pareceu mais aqueles programas de TV, onde os apresentadores tentam vender algum produto. Mas no caso era meio... "Vocês não se arrependerão de pagar tão caro!" Como eu to ali de graça e super acostumado com o ensino público onde o que se aplica é: "Se não tá satisfeito... F***-se", até rimos um pouco dessa situação.

Da primeira aula, que foi na terça passada, até hoje eu posso resumir direto... Pessoas legais, porém frias... com raras excessões.
Acho muito dificil que eu me acostume com o ambiente e isso de uma forma me frustra, pq nem viso ir em chopadas e tal... Ou seja, todo o visante clima de faculdade só se resume, por enquanto, à parte acadêmica. E essa sim tah sendo mt bacana. Eu posso jurar que as 6 horas diárias passam voando e eu fico até meio zonzo de tanta (in)formação que enfiam na minha cabeça. Mas tem uma coisa, por mais que NUNCA haja discriminação de nenhuma espécie, eu não me sinto como se fosse o "público-alvo" da faculdade. Eu não sei explicar a sensação, é parecido com assistir aula na sala do seu irmão mais velho, ou mais novo. Tudo isso pode soar como se eu vivesse como um "zumbi" na faculdade. Mas nem é, eu já falo com bastante pessoas e tenho amigos que conheço antes de sonhar em estudar lá (eu nunca sonhei, rs).
E uma das coisas que mais me angustiam e me instigam é lidar com as linguagens e os códigos diferentes no meu dia-dia. Lidar com a linguagem da fala, do video, da imagem e do texto em casa, na faculdade, na minha vó, com os amigos e no computador está sendo um grande conflito mental (rsrsrs). Essa coisas da gente ser em cada ambiente uma pessoas diferente, por estar com pessoas diferentes, tah me deixando muito confuso. As vezes eu saio de casa pensando..."Hoje vou pra faculdade e nem vou rir pra ninguém". Mas chego lá e me adequo com a situação rapidamente.
É nessa hora que as relações de poder analisada por Foucault, que a professora tanto fala, tomam forma e sentido pra mim. "Todas as relações de poder, são relações de guerra." E minha grande impotência talvez seja errar as munições em todas elas.



Conclusão: Eu sou o chato do ano.
Aprendi que: Cantar e ouvir Sandy & Junior é "cult", já que eles foram extintos. Assim como Balão Mágico e Michael Jackson.
Frase feita: "Enquanto eu o tiver, é tudo que eu quero."
Superação: Durante o meu dia na faculdade, por causa do ar-condicionado, eu sinto muito frio e quando saio da sala, muito calor. Mas mesmo assim nem sinal da minha rinite alérgica. Uhhuuul!
Coisa estranha: Hoje quando eu fui pro ponto, passou um ônibus do meu lado e alguém me jogou água de dentro dele, e o mais bizarro é que a mulher gritou como se não tivesse me visto antes de jogar. Foi meio que eu passando e ouvindo um grito junto com um banho de água super aleatório (ainda bem que estava calor).
I say No No No: Como a maioria sabe, eu sou fã da série LOST, mas não consigo assistir na Globo porque a voz da Kate está horrível na versão dublada. Parece voz de homem. Nem vejo.
P.s. Eu ainda não vi nenhum padre e nenhuma freira na faculdade. =/