quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A volta dos que não foram

Acho que quero voltar a escrever aqui. Vou tentar pelo menos.
Mas a melhor parte é reler o que escrevi e ter visto o Zeh de um ano atrás. Tantas coisas acontecem, né.
Mas me orgulho de ter sido sincero em cada palavra.

Enquanto isso to postando umas coisas soltas que eu escrevi nos últimos tempos.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Íntimo

Se o tempo é relativo
quem vai consertar os erros?
Só se pode querer mudar
o que ainda não aconteceu

Nessa prisão de vidro
eu encaro os meus defeitos
Questiono os sentimentos
e os amores que restam no peito

Mas são os mesmos filmes
aqueles de amores impossíveis
Eu me vejo neles
Não posso mentir

Gosto de fazer as regras
mesmo quando fujo delas
Eu queria poder mudar
apenas o que não sou eu

Seria mais fácil sorrir
Se não quisesse chorar
E todas as formas de escapar
Foram ensinadas para mim

Mas são os mesmo filmes
Aqueles de vingança a frio
Eu me vejo neles
Não dá pra fingir

terça-feira, 11 de março de 2008

As Escadas (conto)


Sentado na escada do prédio às 3h. Hora de dormir para muitos, não para aqueles que guardam dentro de si a espera de algo que nunca chegou. Subiu e desceu as escadas pensando no dia de antes de ontem quando a mesma angústia lhe mordia. Nesse dia pôde escrever uma carta para uma amiga querida que distante dali não o esperava. Nada chegou como nos últimos tempos.

Sentado na escada do prédio no 6° andar, novamente às 3h, decidiu subir e descer pensando no dia de antes de ontem quando resolveu pintar um quadro com as tintas da irmã que há muito tempo nunca lhe visitou. Em outras horas alguém havia ligado, mas como apertar o botão que nunca foi apertado?

De pé sobre as escadas cinzas às 3h resolveu subir e descer pensando no dia de antes de ontem, quando resolveu rezar pela mãe doente que nunca havia adoecido. Em outras novelas ela era quem tinha rezado. Sob a fé, sobre a cama enferrujada que não havia dormido, o calendário riscado estava ali ao lado.

De pé sobre as escadas às 3h do relógio parado nada havia mudado, pensando em algum dia de antes de ontem, era ele quem tinha lembrado. Subiu e desceu as escadas como se tivesse encontrado um caminho único para sobreviver ao cansaço. Resmungou e aceitou em viver ao lado daquele que lhe parecia com o espelho a qual a época ainda não havia recordado.

Sentados às 3h sobre a escada enferrujada, decidiram dormir à espera de outros. Hora de acordar para muitos, não para aqueles que o controle do tempo era quase fantasioso. Quem espera por aquilo que não teve, nunca saberá quantos passados dormirão consigo nem quantos futuros seriam necessários para lhe atirar sobre as escadas.